Mensagem da Semana!!!

“Nada te perturbe, nada te assuste, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”

Santa Tereza d’Avila




Copa do Mundo na terra da Mãe Gentil, por Padre Jocleilson S. da Silva

Que saudades da época que na escola cantava-se o Hino Nacional com aquela inocência sobre o patriotismo em relação ao nosso País! Amanhã, quinta-feira, dia doze de junho de 2014, teremos nossos olhares voltados para a abertura da Copa do Mundo em nosso País, seremos todos chamados a fixar nosso olhar e nossa atenção para o ato de abertura deste evento e logo após teremos o enorme prazer de cantar o Hino Nacional com aquela experiência emocionante e única, que segundo o goleiro, Júlio César, se torna o décimo segundo jogador em campo! O esporte congrega, une as pessoas e o Papa Francisco no encontro com atletas em Roma no dia 07 de junho deste ano ressaltou: “Somente se permanece um jogo faz bem ao corpo e ao espírito. Como vocês são esportistas, convido-os não só a jogar, como vocês já fazem, mas também a procurarem o bem, na igreja e na sociedade, sem medo, com coragem e entusiasmo, a se envolverem com os outros e com Deus, e darem o melhor de si, oferecendo suas vidas por aquilo que realmente vale e que dura para sempre”. O que realmente vale? Esta pergunta deve nos chamar atenção numa situação tão delicada como a Copa do Mundo em nosso País! São inúmeros os pontos positivos com a realização deste evento como: o grande número de turistas atraídos pelos jogos que vão gerar lucro para alguns setores do comércio e alguns empregos para os brasileiros; o aumento de investimentos no país de empresas ligadas direta ou indiretamente ao futebol. E inúmeros outros que deixo para a Rede Globo nos explicar todas as noites e agora também durante todo o dia: o quão é importante ter a Copa em nossas fronteiras. Mas vale apenas isto? Em troca de que? Alguns empregos, e como vimos, segundo a própria mídia, sem segurança onde as mortes de subempregados foram consideradas pelas autoridades como “coisa comum numa construção”. Será que os 25,6 bilhões de reais que foram gastos na construção de uma Copa do Mundo não gerariam também certo número de empregos e aqueceriam nossa economia? A Conferência Nacional dos Bispos iniciou uma campanha em função deste evento com seguinte tema: Copa do mundo, jogando pela vida. Onde afirma que “Direito humano de especial valor, o esporte é necessário a uma vida saudável e não deve ser negligenciado por nenhum povo. De todos os esportes, o brasileiro nutre reconhecida paixão pelo futebol. Explicam-se, assim, a expectativa e a com que a maioria dos brasileiros aguarda este evento”. E continua: “O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacificas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência.”. No jogo de futebol temos sempre um juiz, um árbitro que adverte e que pune os jogadores no excesso de força e tudo mais. Penso que devemos ser os juízes da Copa e os organizadores merecem um cartão vermelho, principalmente quando percebemos a exclusão de milhões de cidadãos ao direito à informação e à participação nos processos decisórios sobre as obras que foram realizadas para a Copa; e quando vemos a remoção de famílias e comunidades para a construção de obras dos estádios ou de mobilidade, com a violação ao direito à moradia em comunidades e bairros populares; quando vemos a apropriação do esporte por entidades privadas e grandes corporações, a quem os governos vêm delegando responsabilidades públicas; quando se coloca diante de nós o desrespeito sistemático à legislação e ao direito ambiental, trabalhista e do consumidor; e também quando acontece uma inversão de prioridades para com o dinheiro público que deveria servir, prioritariamente, para a saúde, educação, saneamento básico, transporte e segurança e por ultimo, mas não menos importante, quando se instaura uma política de excessão, mediante decretos, medidas provisórias e infinitas portarias e resoluções em favor sempre das grandes corporações. Sou brasileiro e gosto de futebol, espero que a seleção brasileira obtenha o título tão almejado, pois seria uma enorme decepção fazer tanta bagunça com o dinheiro público e nem ao menos ganhar a copa! Continuo cantando o hino nacional, não mais com a inocência de criança, e sim com o olhar crítico diante de tanto descaso com que é público, com a revolta daquele que se sente ofendido com as inúmeras isenções oportunizadas pelo governo à FIFA para que obtenha mais lucro neste evento. A Copa deveria congregar o mundo com suas seleções nacionais oportunizando troca de experiências e conhecimento das diversas culturas. O que realmente vale é a vida digna! E coloco meu desabafo, pois também sou filho desta pátria que é mãe, mas duvido da vossa gentileza:Terra adorada, entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria Amada, dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil! Jocleilson Sebastião da Silva, padre Católico, com licenciatura em Filosofia na PUC de Goiás e Bacharelado em Teologia no Instituto de Filosofia e Teologia Santa Cruz em Goiânia. Atualmente é administrador paroquial da Paróquia Santa Rita de Cássia na cidade de Luís Eduardo Magalhaes, no bairro Jardim das Acácias.